Segundo dados divulgados ontem (12) pelo Ministério da Saúde, o Brasil já ultrapassou a marca de 13,5 milhões de casos confirmados de Covid-19. Com a segunda maior taxa de mortalidade relacionada à doença no mundo (354,6 mil mortes), o país está no centro das discussões globais sobre os desafios da pandemia. Na última quarta-feira (7), a Universidade da Califórnia (Los Angeles, Estados Unidos) convidou o sanitarista Luis Eugênio de Souza, professor do Instituto de Saúde Coletiva da UFBA, para discutir a evolução da pandemia, apresentar as respostas das diferentes esferas e as principais reações de organizações da sociedade civil para o enfrentamento da Covid-19 no cenário brasileiro.

Na palestra, o professor discutiu os números gerais da pandemia, como incidência e taxas de mortalidade, e comparou o desempenho do Brasil em relação a outros países. “O Chile, país vizinho, está em uma situação melhor que a nossa quando comparamos a proporção de mortes. São 491 mortes por 1 milhão de habitantes. Na China, são apenas três mortes por um milhão de habitantes”, destacou o professor. Atualmente, a média de mortes no Brasil é de 1.579 a cada 1 milhão de habitantes.

Souza chamou atenção para a interferência do discurso político no combate à Covid-19, a propagação de notícias falsas e informações técnicas sem comprovação científica. “São discursos desacreditando as autoridades de saúde, enfraquecendo a adesão popular às recomendações de saúde com base em evidências científicas e promovendo ativismo político contra as medidas de saúde pública necessárias para conter o avanço da Covid-19”, pontuou.

O professor também falou sobre a atuação do Congresso Nacional, especialmente em relação à aprovação do auxílio emergencial para desempregados e trabalhadores informais, e que sofreu redução nas parcelas relativas a 2021. Ele destacou ainda o papel do Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir a autonomia de estados e municípios.

Para Souza, o agravamento das desigualdades é um dos principais desafios impostos pela pandemia. “17,7 milhões de pessoas voltaram à pobreza entre agosto de 2020 e fevereiro deste ano. Essas pessoas estão sobrevivendo com uma renda per capita de apenas 50 dólares por mês”, disse.

Entre as respostas da sociedade civil, o professor destacou a elaboração do Plano Nacional de Enfrentamento à Pandemia da Covid-19”, de iniciativa do movimento Frente Pela Vida, cuja principal estratégia está voltada à atenção primária à saúde e à vigilância epidemiológica. O plano evidencia medidas para qualificação da atenção especializada e hospitalar, além de estratégias para mitigar danos econômicos, apoiando financeiramente pequenas empresas e populações vulneráveis.

“Precisamos fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS), oferecer vacinas para todos de acordo com critérios éticos e epidemiológicos, lockdown mais efetivo e garantir ajuda financeira emergencial enquanto durar a pandemia”, concluiu.

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