Propor um espaço de diálogo dos trabalhos mais atuais de pesquisadores franceses e brasileiros em torno de questões contemporâneas relacionadas ao cruzamento da saúde e do meio ambiente. Esse é o principal objetivo do colóquio internacional “Saúde Ambiental e Ecologia dos Saberes: Perspectivas franco-brasileiras”, que será realizado entre os dias 20 e 21 de maio.

O evento é resultado de uma parceria internacional entre o Programa Integrado Comunidade, Família e Saúde (FASA) do Instituto de Saúde Coletiva da UFBA e o centro de pesquisa EVS (Meio Ambiente, Cidade, Sociedade) da Universidade de Lyon, na França. Além das equipes das duas universidades, o colóquio também contará com a participação de pesquisadores da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres e da Universidade de Liverpool, na Inglaterra, e da Universidade de Poitiers e Universidade de Nantes, na França.

As discussões pretendem abordar especialmente os processos de produção de negligência, vulnerabilidade socioambiental e saúde. “Nesta colaboração acadêmica internacional, propomos produzir pesquisas multicêntricas, publicações conjuntas e tecnologias sociais inovadoras nestes temas, privilegiando abordagens participativas e engajadas nas comunidades, assim como favorecer a mobilidade docente/discente entre os grupos de pesquisa no Brasil e na França”, explica Marina Rougeon, professora convidada do Instituto de Saúde Coletiva, pesquisadora associada do EVS/Universidade de Lyon, e co-coordenadora do evento.

O colóquio será realizado através da plataforma digital da Universidade de Lyon 3 e aberto à comunidade. As atividades serão bilingues, com apresentações em francês e português, e tradução simultânea na hora dos debates. As inscrições devem ser feitas através do e-mail: isc.eves.colloque2021@gmail.com.

Injustiças ambientais e sanitárias

Durante o evento, serão apresentados diversos estudos desenvolvidos por professores e pesquisadores do Programa Integrado Comunidade, Família e Saúde (FASA) na área de saúde e meio ambiente. Os casos brasileiros serão colocados em diálogo com a realidade de outros países, a exemplo da França, Colômbia e Camboja. “Esses trabalhos trazem um aporte considerável com abordagens que relevam da crítica decolonial, ressaltando o peso das injustiças ambientais e sanitárias na sociedade brasileira”, destaca Marina Rougeon.

Para a professora, as situações de vulnerabilidade ligadas às políticas de desenvolvimento apresentam-se de forma cada vez mais complexa e acentuada, convidando os pesquisadores a ampliarem o debate em torno de questões como o racismo ambiental e alimentar, doenças negligenciadas (leptospirose, anemia falciforme, leishmaniose cutânea), e a marginalização de grupos racializados (indígenas, moradores de bairros periféricos, quilombolas). “Os debates em torno da ecologia dos saberes e da crítica decolonial ocupam um lugar importante. Injetam uma dimensão política à análise e convidam a construir novas epistemologias”, conclui.

As discussões do evento devem resultar em um livro coletivo com as principais contribuições dos membros das equipes.

Veja, abaixo, a programação completa:

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