O artigo “Does immunity after Zika vírus infection cross-protect against dengue?”, publicado na edição de fevereiro da revista científica The Lancet, apresenta evidências que sugerem que infecções pelo Zika vírus podem induzir imunidade contra o vírus da dengue. O estudo, que tem entre seus autores o docente e pesquisador do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA) e da Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz Bahia, Guilherme Ribeiro, foi desenvolvido com pacientes infectados pelos vírus zika, dengue e chikungunya em Salvador (BA), de 2009 a 2017. As três doenças são transmitidas pelo mosquito Aedes aegypt.

A pesquisa foi realizada com cerca de 3.300 pacientes com doença febril aguda atendidos em uma unidade de pronto-atendimento da cidade de Salvador. Os dados encontrados mostram redução na frequência de dengue após a epidemia de zika, ocorrida em 2015: de 2009 a março de 2015, 25% (484 de 1937) dos pacientes analisados foram diagnosticados com dengue; a partir de abril de 2015 (início da epidemia de zika) até 2017, a frequência de dengue diminuiu para apenas 3% (43 de 1334). Desde 2016 não houve mais picos na ocorrência de dengue, enquanto a frequência de casos de chikungunya permaneceu elevada, o que indica que não houve alteração no ambiente propício ao mosquito, o que poderia justificar a redução nos casos de dengue.

Os autores indicam que outros estudos são necessários para comprovar a hipótese de imunoproteção contra a dengue em pacientes que foram infectados pelo vírus zika. Caso confirmada, a conclusão pode ter implicações em investigações imunológicas de patogênese, desenvolvimento e avaliação de vacinas e na vigilância epidemiológica.

Leia o artigo na íntegra aqui

*Com informações da Ascom Fiocruz Bahia