Dani Lottermann/YPY/divulgação

Com informações do Hospital Universitário da UFSC

Tomar sorvete é mesmo um hábito muito saboroso. Mas uma fórmula especial promete ajudar também a reduzir os efeitos colaterais da quimioterapia em pacientes com câncer, além de funcionar como um complemento alimentar. É o que garantem pesquisadores do Hospital Universitário da Universidade Federal de Santa Catarina (HU-UFSC), vinculado à Rede Ebserh. Eles desenvolveram um sorvete especialmente para pacientes em tratamento oncológico.

O complemento alimentar foi consumido por provadores sem câncer e por pacientes em tratamento de quimioterapia. A pesquisa foi transformada em artigo científico e publicada no Journal of Culinary Science & Technology. “Por ser gelado, ele ajuda a anestesiar a cavidade bucal, que é uma das consequências do tratamento, que são as mucosites, sapinhos, enfim, que tanto dificultam a ingestão alimentar”, disse a professora Raquel Salles, do Departamento de Nutrição da UFSC, uma das nutricionistas responsáveis pela pesquisa.

O sorvete é também fonte proteína de alto valor biológico, fonte de fibra, livre de gordura trans, sem lactose e sem glúten, com alto valor calórico. Ele foi testado por um ano com os pacientes da quimioterapia do hospital e fez uma parceria com uma indústria catarinense – YPY Sorvestes Premium, que desenvolveu o produto em escala comercial em três sabores: limão, morango e chocolate. “Todos os sabores tiveram percentual de aceitação acima de 75%. Os resultados sugerem uma possibilidade terapêutica promissora a ser inserida na alimentação”, explica a residente Paloma Mannes, que também participou da pesquisa.

A médica da equipe de hematologia do HU Giovana Steffenello explicou que o paciente que está em tratamento tem alteração no paladar e passa por dificuldades para se alimentar. Por isso, o sorvete, por ser de boa aceitação, ajuda a amenizar os problemas no tratamento. “O paciente também sente bastante náuseas, às vezes até o cheiro da comida pode incomodar”, afirma.

Pacientes aprovam

Os dados científicos mostram os bons resultados e a aceitação do sorvete, mas o que mais comprova esta realidade é o depoimento de pacientes, como Carolina Martins, que faz tratamento no HU por conta de um linfoma e conheceu o produto. “O sorvete é delicioso e minimiza os efeitos da quimioterapia”, diz Carol, que recebe as orientações das nutricionistas. Outros pacientes aprovam a novidade. O aposentado Carlos Alberto Martins disse que a recuperação melhorou depois do consumo do sorvete. “Então com sorvetinho ficou tudo de bom. A recuperação é melhor ainda”.

A ideia é levar esse complemento alimentar para todos os pacientes internados ou em tratamento domiciliar que tenham necessidades nutricionais e que precisam aumentar o valor calórico/proteico na dieta. Tem a vantagem por ser um alimento que faz parte do repertório alimentar das pessoas em todas as faixas etárias, é nutritivo e saudável, além de respeitar os hábitos alimentares dos indivíduos já tão fragilizados, tanto do ponto de vista biológico como emocional.

“Humanizar o atendimento nutricional é nossa grande meta. Acreditamos que este complemento poderá ser usado também por pacientes com outros tipos de câncer, com distúrbios neurológicos, pacientes pós-trauma bucomaxilo, entre outras situações como idosos que não têm vontade de se alimentar”, acredita a professora Francilene Vieira, coordenadora do estudo.

A pesquisa contou ainda com a participação da nutricionista da unidade de onco-hematologia Akemi Kami.