A team of researchers holds a conversation with residents of the Corte de Pedra district, in Presidente Tancredo Neves - BA / Photo: publicity

Matéria publicada em 17 de abril de 2020

Em 2019, a Bahia registrou 1.292 casos de leishmaniose tegumentar, uma doença infecciosa, não contagiosa, que provoca úlceras na pele e mucosas. Os números divulgados pela Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) podem ser ainda mais expressivos por conta das subnotificações, que ocorrem quando não é feito o diagnóstico da doença pelos órgãos de saúde oficiais. Ainda segundo o levantamento, Valença está no topo das notificações: foram, pelo menos, 121 casos só no ano passado. A situação do município será acompanhada agora pelo projeto ECLIPSE, um estudo global que pretende investigar o impacto social da leishmaniose em quatro países. 

Liderado pela Dra. Helen Price e pela professora Lisa Dikomitis, da Universidade de Keele, no Reino Unido, o estudo será conduzido no Brasil pelo médico Paulo Machado, coordenador do Serviço de Imunologia (SIM) do Hospital Universitário Professor Edgard Santos (Hupes) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), e pela professora Leny Trad, coordenadora do Programa Comunidade, Família e Saúde (FA-SA) do Instituto de Saúde Coletiva da UFBA. O projeto é financiado pelo UK National Institute for Health Research (NIHR).

“A leishmaniose tegumentar (ou cutânea) desenvolve-se quando uma pessoa é picada pelo mosquito Lutzomyia, que contém parasitas do tipo Leishmania. Esses micro-organismos atingem os vasos sanguíneos e formam lesões na pele que podem crescer de tamanho”, explica a Dra. Helen Price. 

Pesquisadores identificam áreas endêmicas na região de Presidente Tancredo Neves – BA / Foto: divulgação

Além do Brasil, o estudo será realizado no Reino Unido, Etiópia e Sri Lanka, países com realidades diferentes quanto ao entendimento e enfrentamento da leishmaniose tegumentar. “Na Etiópia, por exemplo, não existe um relatório oficial sobre a doença. No Sri Lanka, a doença é mais recente e a população local ainda não têm muito conhecimento sobre o assunto”, explica a Dra. Helen Price. 

Ela observa que a população brasileira tem mais conhecimento sobre a leishmaniose tegumentar, mas que a acessibilidade ao tratamento ainda é um problema a ser superado. “O que está acontecendo em um país pode ajudar a quem trabalha no outro, para que possamos trocar experiências e estabelecer colaborações”, destaca.  

O projeto reúne pesquisadores de diversas áreas como antropologia, medicina, parasitologia, psicologia, ciências sociais e artes. Durante quatro anos, a equipe pretende coletar dados, criar modelos de intervenção e capacitar as comunidades para lidar com os efeitos do estigma social causado pela leishmaniose.  

“O estigma não tem a ver apenas com as cicatrizes, envolve outros aspectos. A proposta do projeto é uma abordagem biopsicossocial da saúde. Por isso, em cada país, é importante que a comunidade se envolva e participe das intervenções”, explica a professora Lisa Dikomitis. 

Centro de referência brasileiro 

Pacientes aguardam atendimento no Centro de Referência em Leishmaniose Dr. Jackson Maurício Lopes Costa, localizado no distrito Corte de Pedra, em Presidente Tancredo Neves – BA / Foto: divulgação

No Brasil, além de Valença, o projeto atuará também em Presidente Tancredo Neves e Teolândia, municípios baianos com histórico significativo de casos. O contato dos pesquisadores será feito com a colaboração das secretarias municipais de saúde e do Centro de Referência em Leishmaniose Dr. Jackson Maurício Lopes Costa, localizado no distrito Corte de Pedra, em Presidente Tancredo Neves, onde a maioria dos casos da região é atendida. 

“Nos últimos 30 anos, o Serviço de Imunologia do Hupes/UFBA vem desenvolvendo importantes projetos de pesquisa no posto de saúde de Corte de Pedra, área de elevada endemicidade para a leishmaniose tegumentar”, destaca o médico Paulo Machado. 

A experiência brasileira servirá agora de base para a atuação do novo estudo. “Essa é uma doença vinculada a fatores ambientais, atingindo uma população carente da zona rural e trazendo inúmeros desafios, como a impossibilidade de prevenção pela ausência de vacina e de outros meios profiláticos”, observa.  

Para o coordenador, o tratamento feito à base de medicações injetáveis e que provocam diversos efeitos tóxicos nos pacientes é mais um dos obstáculos para quem vive com a doença. “Infelizmente, a leishmaniose tegumentar é uma doença negligenciada e as políticas de saúde para lidar com essa endemia estão longe de atender o mínimo necessário”, avalia. 

Reconhecendo o território 

O primeiro encontro do grupo com os pesquisadores locais aconteceu na Universidade Federal da Bahia em março de 2020. Durante uma semana, a equipe liderada pela Dra. Helen Price e professora Lisa Dikomitis conheceu de perto as unidades da UFBA envolvidas com o projeto.  

Equipe do projeto ECLIPSE no Instituto de Saúde Coletiva da UFBA

Na oportunidade, elas apresentaram as principais propostas para membros do Instituto de Saúde Coletiva, da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-graduação e do Serviço de Imunologia do Hospital Universitário Professor Edgard Santos (Hupes/UFBA). “Tivemos uma semana especialmente produtiva e estratégica para a criação das bases do projeto na universidade”, destaca Leny Trad, professora do ISC/UFBA e coordenadora do ECLIPSE no Brasil. 

A equipe de pesquisadores visitou ainda os municípios focos do projeto: Valença, Presidente Tancredo Neves e Teolândia. “Fizemos uma aproximação inicial com os territórios que serão alvo da etnografia e contatos especialmente ricos com alguns colaboradores e informantes-chave de pesquisa”, explica a coordenadora. 

Além de rodas de conversa com membros das comunidades, os pesquisadores também acompanharam as atividades do Centro de Referência em Leishmaniose Dr. Jackson Maurício Lopes Costa, no município de Presidente Tancredo Neves, que realiza atendimento especializado da doença para a população daquela região. “Os moradores têm muita sorte de ter aquele centro de referência, mas sabemos que em outras áreas não existe sequer suprimento de medicamentos”, observa a professora Lisa Dikomitis 

Para ela, o contato direto com as comunidades é o principal caminho para entender todas as dificuldades pelas quais passa a população. “O que nós queremos é que todos os nossos pesquisadores façam o itinerário dos pacientes. O que significa, por exemplo, viajar 6 horas de ônibus para buscar atendimento? Todos os pesquisadores devem fazer essa mesma jornada para descobrir o quão doloroso é o tratamento”, sugere. 

O Brasil foi o primeiro país visitado pelos pesquisadores da Universidade de Keele para formalizar a cooperação e a pesquisa multicêntrica do projeto. O ECLIPSE terá duração de quatro anos e a expectativa é criar neste período comitês e grupos de trabalhos que possam subsidiar políticas públicas para enfrentamento da doença.  

Professora Leny Trad (ISC/UFBA) e o médico Paulo Machado, coordenadores do projeto ECLIPSE no Brasil

Na UFBA, o projeto tem apoio da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-graduação, Assessoria de Assuntos Internacionais, Instituto de Saúde Coletiva e Faculdade de Medicina da Bahia (Fameb). 

“Além dos impactos no campo acadêmico, destaco o potencial para a saúde da população, uma vez que o ECLIPSE contempla intervenções visando a superação dos desafios biopsicossociais associados à leishmaniose nos contextos locais, construídas conjuntamente com atores sociais chaves”, conclui Trad. 

As informações sobre o projeto podem ser acompanhadas através do site https://www.eclipse-community.com e também pelo perfil do ECLIPSE no Twitter: @ECLIPSE_Keele.

[:en]Article published on April 17, 2020

In 2019, Bahia registered 1,292 cases of cutaneous leishmaniasis, an infectious, non-contagious disease that causes ulcers on the skin and mucous membranes. The numbers  divulgated by the Health Secretary of Bahia State (Sesab) can be even more expressive because of underreporting, which occurs when it is not diagnosed the disease by official health agencies. Also according to the survey, Valença is at the top of the notifications: there were at least 121 cases just last year. The situation in that municipality will now be monitored by the ECLIPSE project, a global study that aims to investigate the social impact of leishmaniasis in four countries. 

Led by Dr. Helen Price and Professor Lisa Dikomitis, from Keele University, in the United Kingdom, the study will be conducted in Brazil by the doctor Paulo Machado, coordinator of the Immunology Service (SIM) of the Professor Edgard Santos University Hospital (Hupes) of Federal University of Bahia (UFBA), and by Professor Leny Trad, coordinator of the Community, Family and Health Program (FA-SA) of the UFBA’s Collective Health Institute. The project is funded by the UK National Institute for Health Research (NIHR).

“Tegumentary (or cutaneous) leishmaniasis develops when a person is bitten by the Lutzomyia mosquito, which contains Leishmania-type parasites. These microorganisms reach the blood vessels and form lesions on the skin that can grow in size,” explains Dr. Helen Price. 

Researchers identify endemic areas in the region of Presidente Tancredo Neves – BA / Photo: disclosure

In addition to Brazil, the study will be carried out in the United Kingdom, Ethiopia and Sri Lanka, countries with different realities in terms of understanding and coping with tegumentary leishmaniasis. “In Ethiopia, for example, there is no official report on the disease. In Sri Lanka, the disease is more recent and the local population does not have much knowledge about the subject”, explains Dr. Helen Price.

She notes that the Brazilian population has more knowledge about cutaneous leishmaniasis, but that accessibility to treatment is still a problem to be overcome. “What is happening in one country can help those who work in the other, so that we can exchange experiences and establish collaborations”, she highlights.  

The project brings together researchers from different areas such as anthropology, medicine, parasitology, psychology, social sciences and the arts. For four years, the team plans to collect data, create intervention models and empower communities to deal with the effects of the social stigma caused by leishmaniasis.  

“Stigma is not just about scars, it involves other aspects. The project proposal is a biopsychosocial approach to health. Therefore, in each country, it is important for the community to get involved and participate in the interventions”, explains Professor Lisa Dikomitis. 

Brazilian reference center 

Patients await care at the Leishmaniasis Reference Center Dr. Jackson Maurício Lopes Costa, located in the Corte de Pedra district, in Presidente Tancredo Neves – BA / Photo: disclosure

In Brazil, in addition to Valença, the project will also operate in Presidente Tancredo Neves and Teolândia, municipalities in Bahia with a significant history of cases. The contact of the researchers will be made with the collaboration of the municipal health secretariats and the Leishmaniasis Reference Center Dr. Jackson Maurício Lopes Costa, located in the Corte de Pedra district, in Presidente Tancredo Neves, where most cases in the region are attended to. 

“In the last 30 years, the Immunology Service of Hupes/UFBA has been developing important research projects at the Corte de Pedra health post, an area of ​​high endemicity for cutaneous leishmaniasis”, highlights doctor Paulo Machado. 

The Brazilian experience will now serve as the basis for the performance of the new study. “This is a disease linked to environmental factors, affecting a poor population in the rural area and bringing numerous challenges, such as the impossibility of prevention due to the absence of vaccines and other prophylactic means”, he observes.  

For the coordinator, the treatment based on injectable medications that cause several toxic effects in patients is another obstacle for those living with the disease. “Unfortunately, cutaneous leishmaniasis is a neglected disease and health policies to deal with this endemic disease are far from meeting the minimum necessary,” he says. 

Recognizing the territory 

The group first meeting with local researchers took place at the Federal University of Bahia on March 2020. For a week, the team led by Dr. Helen Price and Professor Lisa Dikomitis got to know closely the UFBA units involved in the project.  

ECLIPSE project team at the UFBA Collective Health Institute

On the occasion, they presented the main proposals to members of the Collective Health Institute, the Dean of Research and Graduate Studies and the Immunology Service of the Professor Edgard Santos University Hospital (Hupes/UFBA). “We had a particularly productive and strategic week to create the bases for the project at the university”, highlights Leny Trad, Professor at ISC/UFBA and coordinator of ECLIPSE in Brazil. 

The team of researchers also visited the municipalities that are the focus of the project: Valença, Presidente Tancredo Neves and Teolândia. “We made an initial approach to the territories that will be the target of ethnography and especially rich contacts with some collaborators and key research informants”, explains the coordinator. 

In addition to conversation circles with community members, the researchers also followed the activities of the Dr. Jackson Maurício Lopes Costa Reference Center for Leishmaniasis, in the municipality of Presidente Tancredo Neves, which provides specialized care for the disease for the population of that region. “The residents are very lucky to have that reference center, but we know that in other areas there is not even a supply of medications”, notes Professor Lisa Dikomitis.  

For her, direct contact with communities is the main way to understand all the difficulties that the population is going through. “What we want is for all of our researchers to make the patients’ itinerary. What does it mean, for example, to travel 6 hours by bus to seek care? All researchers must take this same journey to discover how painful the treatment is”, she suggests. 

Brazil was the first country visited by researchers from Keele University to formalize the cooperation and multicentric research of the project. The ECLIPSE will last for four years and the expectation is to create committees and work groups in this period that can subsidize public policies to face the disease.  

Professor Leny Trad (ISC / UFBA) and doctor Paulo Machado, coordinators of the ECLIPSE project in Brazil

At UFBA, the project is supported by the Dean of Research and Graduate Studies, Advisory on International Affairs, Institute of Collective Health and Faculty of Medicine of Bahia (Fameb). 

“In addition to the impacts on the academic field, I highlight the potential for the health of the population, since ECLIPSE contemplates interventions aimed at overcoming the biopsychosocial challenges associated with leishmaniasis in local contexts, built together with key social actors”, concludes Trad. 

Information about the project can be followed through the website https://www.eclipse-community.com and also through the ECLIPSE profile on Twitter: @ECLIPSE_Keele.

[:es]Artículo publicado el 17 de abril de 2020

En 2019, Bahía registró 1.292 casos de leishmaniasis cutánea, una enfermedad infecciosa no contagiosa que causa úlceras en la piel y las membranas mucosas. Los números  divulgad el  Secretario de Estado de Salud de Bahía ( SESAB ) lata  sea aún más expressiv ellos  debido a subregistro, que se producen cuando no se diagnostica la enfermedad por organismos oficiales de salud. También según  la encuesta , Valença está en la parte superior  de las notificaciones : hubo  al menos  121  casos solo el año pasado. La situación en el municipio ahora será monitoreada por el proyecto Eclipse, un estudio global que tiene como objetivo investigar el impacto social de la leishmaniasis en tres países. 

Dirigido por la parasitóloga Helen  Price  y la antropóloga Lisa  Dikomitis , de la Universidad de  Keele , en el Reino Unido, el estudio será realizado en Brasil por el doctor Paulo Machado, coordinador del Servicio de Inmunología (SIM) del Hospital Universitario Profesor Edgard Santos ( Hupes ). Federal da Bahia (UFBA) y la profesora Leny Trad, coordinadora del Programa Comunidad, Familia y Salud (FA-SA) del Instituto de Salud Colectiva de la UFBA. 

“La leishmaniasis cutánea (o cutánea) se desarrolla cuando una persona es picada por el mosquito  Lutzomyia , que contiene parásitos de tipo Leishmania. Estos microorganismos llegan a los vasos sanguíneos y forman lesiones en la piel que pueden aumentar de tamaño ”, explica la parasitóloga Helen  Price. 

Investigadores identifican áreas endémicas en la región de Presidente Tancredo Neves – BA / Foto: divulgación

Además de Brasil, el estudio se llevará a cabo en Etiopía y Sri Lanka, países con alta incidencia de la enfermedad, pero con realidades diferentes en cuanto a la comprensión y afrontamiento de la leishmaniasis cutánea. “En Etiopía, por ejemplo, no hay un informe oficial sobre la enfermedad. En Sri Lanka, la enfermedad es más reciente y la población local aún no tiene mucho conocimiento sobre el tema ”, explica el parasitólogo. 

Señala que la población brasileña tiene más conocimientos sobre la leishmaniasis cutánea, pero que la accesibilidad al tratamiento sigue siendo un problema por superar. “Lo que está pasando en un país puede ayudar a quienes trabajan en el otro, para que podamos intercambiar experiencias y establecer colaboraciones”, destaca.  

El proyecto reúne a investigadores de diferentes áreas como la antropología, la medicina, la parasitología, la psicología, las ciencias sociales y las artes. Durante cuatro años, el equipo planea recopilar datos, crear modelos de intervención y empoderar a las comunidades para hacer frente a los efectos del estigma social causado por la leishmaniasis.  

“El estigma no se trata solo de cicatrices, involucra otros aspectos. La propuesta de proyecto es un enfoque biopsicosocial de la salud. Por eso, en cada país, es importante que la comunidad se involucre y participe en las intervenciones ”, explica la antropóloga Lisa  Dikomitis . 

Centro de referencia brasileño 

Pacientes esperan atención en el Centro de Referencia de Leishmaniasis Dr. Jackson Maurício Lopes Costa, ubicado en el distrito Corte de Pedra, en Presidente Tancredo Neves – BA / Foto: divulgación

En Brasil, además de Valença, el proyecto también operará en Presidente Tancredo Neves y Teolândia, municipios de Bahía con un importante historial de casos. El contacto de los investigadores se realizará con la colaboración de las secretarías municipales de salud y del Centro de  Referencia de Leishmaniasis Dr. Jackson Maurício Lopes Costa, ubicado en el distrito Corte de Pedra, en Presidente Tancredo Neves, donde se atienden la mayoría de los casos de la región. 

“En los últimos 30 años, el Servicio de Inmunología de  Hupes / UFBA viene desarrollando importantes proyectos de investigación en el puesto de salud Corte de Pedra, un área de alta  endemicidad  para leishmaniasis cutánea”, destaca el doctor Paulo Machado. 

La experiencia brasileña servirá ahora de base para la realización del nuevo estudio. “Se trata de una enfermedad ligada a factores ambientales, que afecta a una población pobre del medio rural y trae numerosos desafíos, como la imposibilidad de prevención por la ausencia de vacunas y otros medios profilácticos”, observa.  

Para el coordinador, el tratamiento basado en medicamentos inyectables y que provocan varios efectos tóxicos en los pacientes es otro obstáculo para quienes viven con la enfermedad. “Lamentablemente, la leishmaniasis cutánea es una enfermedad desatendida y las políticas de salud para hacer frente a esta enfermedad endémica están lejos de cumplir con el mínimo necesario”, dice. 

Reconociendo el territorio 

La primera reunión del grupo británico con investigadores locales tuvo lugar en la Universidad Federal de Bahía el mes pasado. Durante una semana, el equipo dirigido por Helen  Price  y Lisa  Dikomitis  conoció a las unidades de la UFBA que estaban estrechamente relacionadas con el proyecto.  

La parasitóloga Helen Price (izquierda) y la antropóloga Lisa Dikomitis (derecha) presentan el proyecto Eclipse en el Instituto de Salud Pública de la UFBA

En la ocasión, presentaron las principales propuestas a miembros del Instituto de Salud Colectiva, el  Decano  de Investigación y Postgrados y el Servicio de Inmunología del Hospital Universitario Profesor Edgard Santos ( Hupes / UFBA). “Tuvimos una semana particularmente productiva y estratégica para sentar las bases del proyecto en la universidad”, destaca Leny Trad, profesora de ISC / UFBA y coordinadora de Eclipse en Brasil. 

El equipo de investigadores también visitó los municipios que son el foco del proyecto: Valença, Presidente Tancredo Neves y Teolândia. “Realizamos una primera aproximación a los territorios que serán objeto de etnografía y sobre todo ricos contactos con algunos colaboradores e informantes clave de la investigación”, explica el coordinador. 

Además de los círculos de conversación con miembros de las comunidades, los investigadores también monitorearon las actividades del Centro de Referencia de Leishmaniasis Dr. Jackson Maurício Lopes Costa, en el municipio de Presidente Tancredo Neves, que brinda atención especializada de la enfermedad a la población de esa región. “Los residentes tienen mucha suerte de tener ese centro de referencia, pero sabemos que en otras áreas ni siquiera hay suministro de medicamentos”, observa la antropóloga Lisa  Dikomitis  

Para ella, el contacto directo con las comunidades es la principal vía para comprender todas las dificultades que atraviesa la población. “Lo que queremos es que todos nuestros investigadores hagan el itinerario de los pacientes. ¿Qué significa, por ejemplo, viajar 6 horas en autobús para buscar atención? Todos los investigadores deben emprender este mismo viaje para descubrir cuán doloroso es el tratamiento ”, sugiere. 

Brasil fue el primer país visitado por investigadores de la Universidad de  Keele  para formalizar la cooperación y la investigación multicéntrica del proyecto. El Eclipse tendrá una duración de cuatro años y la expectativa es crear comités y grupos de trabajo en este período que puedan subsidiar políticas públicas para enfrentar la enfermedad.  

La profesora Leny Trad (ISC / UFBA) y el doctor Paulo Machado, coordinadores del proyecto Eclipse en Brasil

En la UFBA, el proyecto cuenta con el apoyo del  Decano  de Investigación y Estudios de Posgrado, Asesoría en Asuntos Internacionales, Instituto de Salud Colectiva y Facultad de Medicina de Bahía ( Fameb ). 

“Además de los impactos en el ámbito académico, destaco el potencial para la salud de la población, ya que Eclipse contempla intervenciones encaminadas a superar los desafíos biopsicosociales asociados a la leishmaniasis en contextos locales, construidos en conjunto con actores sociales clave”, concluye Trad. 

Para obtener más información sobre el proyecto, siga el perfil de Eclipse en Twitter: @ ECLIPSE_Keele