Com informações de Nicole Beraldo e Bruna Bonelli, da Agência Saúde (texto editado)

O Ministério da Saúde obteve um passo importante na redução das mortes provocadas por infecções hospitalares nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) de 199 hospitais públicos do país. Ao longo de um ano, o projeto colaborativo “Melhorando a Segurança do Paciente em Larga Escala no Brasil” incentivou a adoção de novos hábitos e cuidados dos pacientes e dos profissionais de saúde que atuam nos hospitais. Desta forma, a iniciativa conseguiu reduzir em 30% a ocorrência de infecções da corrente sanguínea, urinária e pneumonia associada à ventilação mecânica. Significa que 1.096 infecções hospitalares foram evitadas e, consequentemente, 347 vidas foram salvas.

A infecção hospitalar é aquela adquirida dentro do serviço de saúde, principalmente em enfermarias e UTIs. A maior parte é provocada por micro-organismos presentes no próprio paciente ou no meio ambiente e que se aproveitam quando o sistema de defesa está mais frágil. As infecções também podem ser transmitidas pelas mãos do profissional de saúde ou do acompanhante, por equipamentos invasivos, como respirador para ventilação mecânica, ou mesmo por contato com outros pacientes. Por isso, de acordo com a metodologia do projeto, o simples ato de lavar as mãos é o ponto inicial para a diminuição das infecções no ambiente hospitalar. Estima-se que, no Brasil, a taxa de infecções hospitalares atinja 14% das internações.

Parceiros

O Projeto Colaborativo “Melhorando a Segurança do Paciente em Larga Escala no Brasil” é desenvolvido pelo Ministério da Saúde, em parceria com os cinco hospitais de excelência que participam do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (PROADI-SUS): Sírio-Libanês (SP), Israelita Albert Einstein (SP), Alemão Oswaldo Cruz (SP), Hospital do Coração (SP) e Moinhos de Vento (RS). A principal meta é reduzir as principais infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS).

Participa ainda da iniciativa o Institute for Healthcare Improvement (IHI), que tem como referência a melhor prática de saúde para o paciente aplicada no mundo inteiro para evitar óbitos a partir do respeito às práticas seguras.

O projeto terá, inicialmente, três anos de intervenção. Nesse período, a estimativa é salvar 8.500 vidas, reduzindo em até 50% as infecções nas UTIs. A iniciativa visa ainda reduzir mais de um bilhão de insumos desperdiçados.