Segundo dados do Ministério da Saúde, metade dos brasileiros, entre 35 e 45 anos, já perdeu ao menos 12 dentes. O pais também é o terceiro no mundo com o maior número de ocorrências de câncer de boca. Um levantamento do Instituto Nacional de Câncer (INCA) revela uma média de 15 mil novos casos da doença por ano no Brasil. Para discutir esse cenário, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), foi realizada a 7ª Reunião de Pesquisa em Saúde Bucal Coletiva. A abertura oficial do evento aconteceu nessa quinta-feira (25), no prédio da Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Promovida pelo Grupo Temático Saúde Bucal Coletiva da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (GTSB/Abrasco), a reunião teve o objetivo de fortalecer o diálogo entre os pesquisadores e profissionais da área. “A nossa luta é para que mais brasileiros possam ter a barriga cheia e a boca cheia de dentes também”, declarou a professora Sônia Chaves, presidente da comissão organizadora do evento.

Para a representante do Conselho Regional de Odontologia da Bahia (CRO-BA), professora Rosângela Rabelo, a reunião é também uma oportunidade para a universidade repensar o papel junto à população. “Somos uma parcela da sociedade que tem uma grande ferramenta: o saber. E esse conhecimento deve ser estendido, cada vez mais, para além da universidade”, avaliou.

A 7ª Reunião de Pesquisa em Saúde Bucal Coletiva também contou com a presença dos professores Paulo Miguez, vice-reitor da UFBA; Júlio Rocha, diretor da Faculdade de Direito; e Graça Alonso, professora da Faculdade de Odontologia da UFBA.

Defesa da democracia

A conferência de abertura foi realizada pelo professor Luís Eugenio de Souza, coordenador de pós-graduação do Instituto de Saúde Coletiva (ISC/UFBA), que discutiu os principais desafios na luta pela democracia nos campos da política, economia e saúde. “A sociedade civil precisa, neste momento, assumir o protagonismo”, afirmou.

Durante a palestra, o professor apresentou o documento “Pela garantia do direito universal à saúde no Brasil”, elaborado para a 16ª Conferência Nacional de Saúde. O evento, que será realizado entre os dias 4 e 7 de agosto, em Brasília, deve reunir mais de quatro mil pessoas para debater políticas públicas de saúde para o país.

Entre as questões abordadas pela publicação, está a defesa da Seguridade Social e da Previdência Pública, além do fortalecimento do SUS. “O povo brasileiro já gasta muito com saúde, sobretudo os mais pobres. Para reduzir os gastos diretos das famílias com medicamentos, exames e consultas, é preciso ampliar o acesso e melhorar a qualidade dos serviços do SUS”, destaca o documento.

Segundo o professor, eventos como a 16ª Conferência Nacional de Saúde, e a 7ª Reunião de Pesquisa em Saúde Bucal Coletiva, são uma oportunidade para reunir forças diante do cenário de instabilidade atual. “É uma luta de longo fôlego, de resistência, do dia a dia, e que se faz também em momentos de reunião”.

Para ter acesso ao documento “Pela garantia do direito universal à saúde no Brasil” completo, clique aqui.

Carta da Bahia

A partir do evento, os pesquisadores e profissionais da área elaboraram a “Carta da Bahia pelo direito à saúde bucal”, com o posicionamento do GTSB/Abrasco em relação às políticas públicas do país. Entre os itens do documento, está o pedido de apoio às entidades de classe, gestores, trabalhadores e movimento social na aprovação do Projeto de Lei (PL) nº 8.131/2017, que tramita no Congresso Nacional, e Institui a Política Nacional de Saúde Bucal no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Para ler a carta na íntegra, clique aqui.

Homenageados

A 7ª Reunião de Pesquisa em Saúde Bucal Coletiva homenageou pesquisadores e profissionais que se destacam na promoção da saúde pública no país. Entre eles, o professor Carlos Botazzo, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP).

Em visita ao ISC/UFBA no mês de fevereiro, quando participou de uma palestra, o professor falou sobre os principais desafios para a saúde bucal no Brasil. Confira a entrevista:

Também foram homenageados outros agentes importantes da saúde bucal coletiva brasileira como o Prof. Paulo Capel Narvai (USP), Profa. Efigênia Ferreira (UFMG), Prof. Samuel Moysés (PUC-Paraná), Profa. Maria Isabel Vianna (UFBA) e Prof. Jairnilson Paim (ISC/UFBA) pelas importantes contribuições à produção científica e pensamento crítico na área.