Cassange apresentou Índice de Vulnerabilidade Epidêmica (IVE) de 0,4197 pontos / Imagens de satélite - Google Maps

Cassange lidera o ranking dos dez bairros com maior vulnerabilidade para Covid-19 em Salvador. Completam a lista, em ordem decrescente, os bairros São Tomé, Alto das Pombas, Nova Esperança, Pero Vaz, Calçada, Fazenda Coutos, Sete de Abril, Santo Antônio e Alto da Terezinha.

O levantamento é baseado em dados preliminares do novo Índice de Vulnerabilidade Epidêmica (IVE), criado por um grupo de pesquisadores do Instituto de Saúde Coletiva (ISC/UFBA), Faculdade de Medicina da UFBA, Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) e Universidade Estadual da Georgia (Atlanta – Estados Unidos), com apoio da Secretaria Municipal de Saúde de Salvador. O estudo é financiado pelo Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC Foundation).

Para determinar o grau de vulnerabilidade, o índice avaliou os bairros sob aspectos sociais, demográficos e epidemiológicos como, por exemplo, analfabetismo, raça, acesso à rede de distribuição de água, coleta de lixo, número de pessoas por domicílio e taxa geral de mortalidade da população.

A análise é realizada através do cruzamento de dados extraídos do Censo 2010 – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), Sistema de Internações Hospitalares (SIH-SUS), Sistema de Agravos e Notificação (SINAN) e do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde.

Itaigara tem a menor vulnerabilidade

Além das áreas mais vulneráveis, o índice também foi utilizado para mapear as regiões com menores riscos para a Covid-19. De acordo com o estudo, Itaigara é o bairro estimado com a menor vulnerabilidade para a doença em Salvador, seguido de Amaralina, Narandiba, Centro, Doron, Resgate, Patamares, Pituba, Cajazeiras II e Caminho das Árvores.

Para a pesquisa, foram analisados os fatores de risco de 155 bairros da capital baiana. No geral, a pontuação do Índice de Vulnerabilidade Epidêmica (IVE) tem um intervalo de 0,042 a 0,420 pontos. Quanto maior a pontuação registrada, maior é o risco para as epidemias, como mostram os dados das tabelas abaixo.

 

Bairros com maior vulnerabilidade

Índice de Vulnerabilidade Epidêmica (IVE)
Cassange 0,4197
São Tomé 0,3353
Alto das Pombas 0,3207
Nova Esperança 0,3134
Pero Vaz 0,3102
Calçada 0,3017
Fazenda Coutos 0,2968
Sete de Abril 0,2906
Santo Antônio 0,2866
Alto da Terezinha 0,2866

 

 

Bairros com menor vulnerabilidade

Índice de Vulnerabilidade Epidêmica (IVE)
Itaigara 0,1063
Amaralina 0,1053
Narandiba 0,1048
Centro 0,0976
Doron 0,0936
Resgate 0,0913
Patamares 0,0903
Pituba 0,0814
Cajazeiras II 0,0688
Caminho das Árvores 0,0417

 

“Uma série de indicadores selecionados foram padronizados e então combinados em uma média geométrica com valores que variam de 0 a 1, ou seja, quanto mais próximo de 1 maior será a vulnerabilidade epidêmica”, explica Márcio Natividade, professor do Instituto de Saúde Coletiva da UFBA e coordenador do projeto.

Segundo o levantamento, a maioria dos bairros da capital baiana apresenta heterogeneidade para vulnerabilidade epidêmica, com riscos que variam de intermediário a alto. As áreas com maiores fatores de risco são marcadas pela falta de infraestrutura e habitação precária, com predomínio de população negra e pobre.

Por outro lado, os riscos diminuem nas chamadas “regiões da orla”, onde há maior concentração de pessoas brancas, de alta e média renda, que recebem mais investimentos públicos e possuem melhor infraestrutura urbana e acesso a serviços.

“Esta distribuição sinaliza a presença de marcantes desigualdades relacionadas às condições de vida e saúde, que precisam atenção especial da administração pública, mesmo no planejamento de estratégias para a prevenção e controle de epidemias, como a Covid-19”, alerta o professor.

Outras epidemias

O índice, que está em fase de ajustes, demonstrou aplicabilidade satisfatória com os indicadores epidemiológicos da Covid-19, e os pesquisadores apontam que os resultados também podem evidenciar os riscos para outras doenças transmissíveis com forte marcador social de vulnerabilidade.

De acordo com o levantamento, as regiões que concentram grande percentual de pessoas com baixa escolaridade, negros, maior número de pessoas por domicílio, menor percentual de água tratada e coleta de lixo, por exemplo, apresentaram os maiores índices de vulnerabilidade para epidemias diversas. “Na dimensão epidemiológica, aqueles com maior taxa de mortalidade geral também apresentaram os maiores índices de vulnerabilidade”, destaca o professor.

Outros estudos conduzidos pela mesma equipe pretendem investigar agora a validação e aplicação do índice na análise de padrões de incidência, das internações e mortalidade por Covid-19. “A ideia é compreender a dinâmica da doença na população e destacar os fatores que podem facilmente influenciar e mudar o curso desta e de outras pandemias na cidade”, conclui o professor.

A construção do Índice de Vulnerabilidade Epidêmica (IVE) está detalhada em nota técnica divulgada recentemente pelo grupo de pesquisadores. Para acessar o documento completo, clique aqui.